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Era Outra Vez...


Mensagem à querida amiga...

Toda a vida é uma escolha e em cada escolha existe uma conseqüência.

Toda a escolha, da mesma forma, apresenta-se como um caminho que conduz a um modo de viver.

Toda a escolha é como plantar uma árvore: um dia os frutos serão colhidos.

Toda e qualquer escolha, ainda mais, exige renúncia.

Sim.

Não existe escolha, não existe opção de vida, sem a necessidade de renunciar a algo.

Aqueles e aquelas que não têm força de vontade ou disciplina para permanecer no caminho escolhido, nunca chegarão a lugar algum. Nunca terão a oportunidade de ver algum sonho de vida ser realizado. E, por conta disso, por vezes podem querer bloquear eloqüentemente a idealização alheia.

Absurda, indigna, mesquinha, invejosa, infantil e estúpida, é a forma de adjetivar atitude e tais pessoas. 

Sei que quem deveria ler isto seriam estas outras pessoas, mas - também - cabe este por você ser lido. Como alguém que quer o que é correto, o que é o certo. Mas que – porém – se veja deparar com pessoas que não sabem viver.

E, assim fluindo, apaga-se o respeito e desacredita muitos por quem se tinha alguma estima. Que nada mais valem e lhe são senão meros espectros de uma farsa vivida. 

Mortos na confiança e consideração, exemplos ativos da falta de noção.  

Portanto, não se estresse. Não se desgaste.

Deixe correr, que o retorno virá calmamente.

O retorno será sempre benéfico à sua pessoa, pois a tenho como alguém que quer fazer sempre o certo - o justo - para outras pessoas.

E, em paralelo, mesmo que com dor, aceite o pior da melhor forma possível.

Por amor a quem tem sofrido.

Dores são fácies de serem adquiridas.

Aceitá-las se aprende com o tempo.

Chore, ria, pense, questione, compartilhe, lamente e permita-se.

Deixe o barco correr, ele não ficará à deriva.

Por que o resultado disso tudo se evidencia na pessoa que você é.

Seja você assim do seu jeito - sem ceder e "prostituir-se ao luxo" da incoerência da vontade alheia.

E vá em frente:

"Sensualizando" ao caminho

Ao destino para sí somente.

 

Marina Pereira

 

 

ps: Mensagem à MT, alguém com inclinação e predisposição a ser o seu melhor e preocupação em fazer o bem aos que lhe tem ao seu redor.



Escrito por Marina Pereira às 22h43
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Nada mais

Não perco mais meu tempo com falsas esperanças.
Não espero nada de bom - de nada e nem de ninguém.
Falsos amigos, promessas eternas, situações ilusórias, futuros incertos, afetos baratos, encontros fictícios, considerações superficiais e re
tornos vagabundos.
Vivo num mundo onde as pessoas acham que me enganam e eu devo fingir por elas ser enganada.
O deslembramento é uma pandemia e o tempo uma universal justificativa.
Reciprocidade não existe e o respeito – esvaído permanece.
Como o acaso lança e o destino lhe convém.
Cansei de construir e demolir expectativas.
Idealizo. Tão breve, a realidade regressa - vã e incoerente.
Ofende-se e magoa-se. Feridas - surgem e permanecem.
Já nada posso, nada.
Já nada quero.
Pois nem mais lamentar sei.
Marina Pereira.


Escrito por Marina Pereira às 01h12
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É assim...

Todos choram.

É assim. Sempre diante de uma tragédia onde inumeras vítimas inocentes por motivos que sempre nos intrigam perdem suas vidas, é assim.

O mundo fica em choque, as autoridade fingem não compreender, a opinião pública se exalta, a população - desde a mais esclarecida até o “senso comum” - se manifesta, a mídia se alucina, a imprensa entra em êxtase...e é assim - sempre assim.

Todos assistiram recente o triste incêndio que vitimou vários jovens no sul. Tal fato ganhou alcance mundial, como não podia deixar de ser, tamanha a gravidade e extensão da tragédia. E apesar de estar ainda consatantemente em discussão nos mais variados meios de comunicação, há muita coisa ainda por se esclarecer neste caso.

Acredito, como não podia deixar de ser, que temos sim que ter noção da dimensão do que uma tragédia representa, assim como acompanhar seu desfecho. Mas a ocorrência de fatos calamitosos como estes me faz questionar: até que ponto?

Sem querer, sinto que tenho estado a pensar que me parece que a midia se delicía com essas tragédias. E há considerar até determinados programas, eu diria que 365 vitimas representariam pauta para um ano inteiro. Onde sangue é audiência e o número de caixões se converte em pontos no ibope.

Tomando novamente como exemplo o incêndio na boate Kiss, tudo o que podia ser dito até o momento sobre o caso já foi dito. E, creio eu, que chega uma hora que deve se ter a noção que sobre a ânsia por informação, deve prevalecer o respeito. Vi certas coberturas chegar ao extremo, com entrevistas absurdas com os parentes das vitimas onde se perguntava a coisa mais grotesca que se pode perguntar a alguém que perdeu um ente querido: “como vc está se sentido?” - ou então aquela que você nunca imagina que alguém vai perguntar e que atinge o auge da falta de senso: “como é a dor da perda?”. Chocante ou não, coloquem REC na câmera para registrar cada lágrima em percurso, no estúdio telepronter em execução, no cenário palpiteiros renomeados pomposamente como comentaristas em posição a à disposição...e “põe na tela”!

Dor, perda. A nós aqui passivos que assistimos, não há nada mais dolorido do que ver alguém que perde a sensibilidade e age tão estupidamente. Torci eu sim é para ver um pai entrevistado que perdeu um filho esmurrar a cara de uma criatura que se dispõe a perguntar isso. Ao menos a dor ele iria conhecer. Ah, isso ia...

Mas não pior do que os pseudoprofissionais que acompanham o caso com o papel de trasmiti-lo, são aqueles que tiram proveito deste para se vangloriar com seus pequenos grandes feitos.

Muitos são aqueles que se sensibilizam e se diponibilizam a prestar auxílio e, de certa, forma, acolher aqueles que estão passando por um momento dificil ou mesmo ajudar os vitimados na medida do possivel. Entretanto, há outros que fazem questão de posarem de grandes benfeitores e enviados dos céus, se sentindo elevados a santos por prestarem solidariedade. Usando a tragédia para fins de auto-exaltação e exibindo suas benfeitorias como dádivas divinas. Tenho para  mim que quando se ajuda alguém, você ajuda pelo simples fato de sensibilizar-se e achar que pode colaborar em algo. Pelo prazer de poder ver alguém ser e estar melhor do que está. Sem o pensamento egoista ou desejo mesquinho de querer ou contar com algo em troca. Troca associa-se em meu pensamento ao seu sinônimo “câmbio”; e câmbio me remete a dinheiro; e dinheiro a ganância poder e interesse, o que não combina em nada com prestatividade.

Não suficiente, a imprensa – obviamente - dá grande abertura para este cenário. E toda uma sociedade, não menos surpreendente, senta na primeira fila pra assistir ao espetáculo.    

O fato é que vários crimes e absurdos acontecem hora a hora por ganância, desleixo, falta de apreço pela coisa publica, despreparo das autoridade, falta de carater, briga por poder, desonestidade, interesses... E, além de ultraexplorar tais crimes, pouco se faz a respeito.

Não sei até quando vamos colaborar em fazer sensacionalismo com coisa séria, sapatear na podridão e esquecer que há um baita mundo de verdade lá fora.

Não consigo imaginar quantas tantas outras vidas são perdidas em vão, sem mesmo tornarem-se de nosso conhecimento.

A verdade é que somos cegos mesmo quando esclarecidos.

Deixamos lágrimas correr no sangue e holofotes sepultarem dores.

E até que o pranto contido não se desfaça, os oportunistas serão os únicos a encobrir o choro e a entoar seus cantos em cima dos vitimados.

Como vilões e heróis, como sempre são, ocos por dentro.

Homens que venderam a sombra, e são como a sombra do homem que a vendeu.

Que sobre os sepultados, fazem barulho, sem o minimo respeito.

Marina Pereira

 



Escrito por Marina Pereira às 22h57
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"Despadronia"

Querem que eu seja uma.

Pedem que faça assim

Querem que eu diga o comum, o esperado

Enxergue o falso e o errado, no mudo e calado.

Seduzem-me por palavras, espectros de uma farsa

Querem que seja outra, querem recriar-me

Buscam

Padronizar-me

De vácuo. Vaidade, fútil e irrealidade

Nego

Não sou assim

Faço por mim

Digo o que penso, julgo verdadeiro

Observo o que passa. E o que enxergo, traduz-se em palavras.

Fujo

Despadronizo-me

Não aprendi assim viver, reluto em assim existir

Não me vendo nem por muito, tão pouco por migalhas

Recolho os farelos, varrendo o incompreensível e desconexo

Sem sucumbir-me a um desejo, entregar-me ao desrespeito.

Não cedo

Minha liberdade, é a única propriedade que tenho.

(...)

 

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 23h15
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"Arte Pela Arte" - Para Arte

                                                          Meus rabiscos por fazer...

  

De diferentes formas, diversas interpretações, diferentes épocas, a arte é uma manifestação - se não um fenômeno - que sempre esteve presente de algum modo ao longo da história e na vida das pessoas. Seja retratando uma época, revelando idéias, fazendo manifesto, ou mero resultado de uma inquietação de seu autor, essa é tida como uma das maiores virtudes que se pode ter e um dos grandes presentes que a nossa vida pode nos dar.

A arte, por si só, é uma manifestação de vida. Um mundo a parte que nos permite pensar e mostrar - sem restrições - as mais variadas idéias e vontades que em nosso universo mais íntimo reside. E, melhor que isso, a arte nos permite uma façanha incrível: dividir e compartilhá-la com outros. Unindo diferentes pessoas, raças, povos e crenças distintas através de uma única semelhança - ou mera identificação - que muitas vezes nem vem a ser conhecida.

A arte não impõe divisas, ao contrário de muitas outras invenções humanas, ela aproxima seres através da mais singela demonstração artística, que nada mais é do que uma interpretação subjetiva da vida.

A vida por si só é inventada e a arte é um dos instrumentos dessa invenção, que tem do fenômeno artístico, obrigatoriamente, uma visão especial.

Arte falada, arte escrita, arte pintada, arte tocada... Diferentes formas de se apresentar e representar uma só única palavra.

Mas como sucumbir e deixar-se levar a esse fenômeno tão pessoal de criar?

Para os ditos artistas, isso é algo muito difícil de traçar. Inspiração, habilidade, dom, inteligência, sensibilidade, talento...talvez seja a mera união de diversos adjetivos e termos.

Um artista não se cria, esse se faz por si só. Ele tem que dispor da habilidade natural de unir criador e criatura num só.

Excepcionalmente, por qualquer preparação espiritualmente equivalente, ele deve permitir ao simples expectador de seu trabalho visionar emotivamente sua obra, sentir no coração que aquela vida própria com que os símbolos, palavras, sons, formas - ou seja lá qual forma artística demonstrada - são almas.

Para expor-se assim, revelando algo tão intimo e deixando a si próprio suscetível a especulações alheias, é necessário coragem. E é preciso que dessa atitude radical, alguma coisa nos comova e se some a esse mundo imaginário que foi criado. Pois apenas a audácia, por si só, não constitui valor artístico. Não basta fugir das normas, dos padrões, recomendações e situar-se no pólo oposto.  É impreensidível que a obra inusitada transcenda a banalidade e a sacação apenas cerebral ou extravagante, e crie efetivamente algo novo que se acrescente a realidade já existente.

Não é só através da arte o homem se inventa e reinventa o mundo em que vive. A ciência, a filosofia, a música, e a religião também participam dessa renovação, sendo que cada uma delas a faz de maneira diferente, razão porque – creio - foram todas inventadas.

Todas elas são necessárias - ainda que cada uma a seu modo e sem a mesma importância para as diferentes pessoas - e agregam diferentes valores igualmente indispensáveis para nosso enriquecimento intelectual e espiritual. E a maioria das pessoas - ou quase todas - usufrui, ainda que desigualmente, de cada uma delas com a liberdade de enxergá-las de um modo só seu particular de ver.

Nada me alegra mais do que me deparar com uma criação artística criativa, surpreendente, inusitadamente inovadora – que desperte o sentir no pensamento e o enxergar na alma. O que todos nos queremos é a maravilha, venha de onde vier, surja de onde surgir. Feliz é saber que mesmo em meio a tanta banalidade ainda há quem prestigie a arte de boa qualidade em nosso país.

Costumam dizer que se faz “arte” quando fazemos algo errado – o que não curioso geralmente envolve crianças. Talvez porque na arte temos a liberdade que não temos na vida. Liberdade esta que não nos impõe condutas, permitindo o agir e pensar sem submetê-los a normas e regras. Onde o “não controlar” individual nos deixa livres e, logo, realizamos as próprias vontades a partir daquilo que abdicamos para se viver em sociedade. E passando do plano psíquico para o físico, materializando tal sensação, temos expressa nossa criação: eis que surge a tão estimada "obra de arte". Em contraste, o ousar, inventar, inovar - na vida – não passam de quadros sem moldura - telas inacabadas - pois diferem no modo de serem vistos se não representados às margens de um pincel, por melodias, ou em meros borrões de tinta.

Por isso, na impossibilidade de exprimir todos os sentimentos, a arte que muitas vezes parece não dizer nada nos serve de fuga. Nela se encontra tudo aquilo que a vida não pode oferecer. E aqui cabe a afirmação, de que a arte existe porque a vida não basta.

Nisso está implícito que a arte não substitui a vida, e sim é um nostálgico ser que se recusa a morrer.

Difícil e incerto é o conceber-se possível uma impossível demonstração absoluta disso. Quanto mais examinamos essa objeção, mais profundamente verificamos que quem se cansa da arte se cansa da vida.
Fecha os olhos à morte, deixando só em torno de si uma bruma da existência já tida.
Fora disso, resta-nos só a obra - sem artista - sem a arte da vida.

Pairando distante, longínqua, e com uma grande inveja de realidade - que nos cega para a visão do eterno que apenas em si há mantida.

Sempre a gritar e sem jamais morrer,

A arte que declama a si mesma, tudo quanto sente sem saber por quê.

 

Marina Pereira

 

 

                 

Tela do amigo Antônio Lorenzo – quem a mim exemplifica o verdadeiro significado da palavra artista; e que toca no sentido intimo de toda a valia de arte.



Escrito por Marina Pereira às 23h24
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Isolada Decepção

 

 


 


 

Rostos, faces, gestos que acompanham.

Tantos em volta, muitos em torno.

Reais, falsos, fingidos, autênticos e inventados.

Sorrisos que incentivam. Suspiros de frustração.

Lágrimas de tristezas. Gritos com exaltação.

Rugas de rancor, por revelar marcas de dor.

Emoções e expressões ligam uns aos outros. Mãos se estendem oferecendo afeto e a proteção que procuramos.  Mas, do mesmo modo, sozinhos sempre estamos.

As maiores decisões em nossas vidas são tomadas na mais completa solidão.

Uma sensação sem correspondente.

Única, ausente.

Doem-me as costas de estar deitada carregando a mim mesma. No silêncio absoluto que repousa sobre as próprias amarguras ao sono que ostenta as próprias dúvidas.

Nascemos sozinhos, crescemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos.

Tolos são aqueles que acreditam que alguém esta por eles.

Ninguém esta por ninguém.

Ninguém vive por alguém.

Raridades são os que se dispõe a isso.

Querer o bem difere dá-lo.

Ato puro e simples.

Habitual traço egoísta o qual muitos dos tidos "humanos" há de abrigar. Afundado na mais completa e obscura inquietude do caráter individual que a barreira física não impede de enxergar, envolto por sombras apenas aos que vivem cegos sob o breu noturno.

Vejo, percebo.

Um simples olhar me faz sentir, mostrando-me a realidade como se fosse à luz do dia.

Traz-me mágoa poder ver.

Fere-me por dentro o julgamento que passo a fazer.

Quero fechar os olhos. Cegar a realidade posta à prova.

Peço a lua que cubra a claridade solar trazendo-me o embalo do sonho noturno. Mas, para o que peço, vem-me apenas a insônia com que luto.

Negrume absoluto.

Perturbação alcoólica dos sentimentos mais íntimos.

Sinto que não sei sentir, nem posso sonhar quando acordo a noite.

Meus olhos me mostram a única realidade que tenho.

Têm-se quem preze?

Sim. Pais, família, amigos.

Caminham ao lado.

Mudos. Calados.

Mas muito falta ainda a andar. Sem a ânsia irreal de ver exprimido todos os sonhos no caminhar.

Minha esperança é um pensamento vazio.

Passo a passo.

Que apita pedindo para despertar.

Escuto. Receio.

O som persiste.

Estendo a mão para desligar ao relógio - sou impelida a fazê-lo.

Pressiono. Cessa.

Dentro de mim, insistente, o toque permanece.

Um momento único.

Exatamente, mas não durmo.

Deixando apenas quem sou - e mais nada

No silêncio e na solidão que não podem ter alimento.

Escravo e preso no cárcere de si mesmo.

Retirando-se para dormir, sob o gesto irreal do teu beijo.

 

Da realidade do dia, ao alivio de sonhar dormindo, que me deixe vir a lua.

E eu - me disperse e suma.

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 23h10
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A-a-a-a...Atchin! Saúde?

 

Dia 7 de abril, quinta-feira, comemora-se o dia Mundial da Saúde. E, como forma de festejo, o mesmo será marcado por uma paralisação entre os profissionais médicos, indignados com as remunerações ruins que o planos pagam e com o "quadro atual" daquilo a que tanto se dedicam. O qual, ao meu critério, resume-se a uma pintura amadora, mal-acabada e isenta de valor artístico.

Não é novidade a ninguém que a saúde pública no Brasil é precária, não atende a demanda populacional, enfrenta dificuldades por deficiência de profissionais, organização social, estratégias de atendimento, má administração de verba - ou excesso dela aplicada em beneficio próprio - e milhares de outros pontos a mais que já são de pleno conhecimento de qualquer cidadão que aqui habita, ou que deixou de habitar em virtude dos mesmos.

Assim sendo, se formos considerar aquilo que é procurado como alternativa e possível solução para as condições encontradas no que se refere a este essencial setor, o foco centra-se na saúde privada.

A prestação de serviços de saúde nos dias atuais pelo SUS, por ser quantitativamente insuficiente e qualitativamente inadequada, faz com que optemos por um sistema temeroso que domina o mercado. Grandes empresas estas distribuídas por todas as partes esplendorosamente denominadas “convênios médicos”. Se ao menos o fato de pagar fosse garantia de eficiência, talvez uma parcela da população sentir-se-ia satisfeita e teria parte dos seus problemas resolvidos.

Mas a realidade não é essa. Foi-se o tempo onde saúde privada era sinônimo de atendimento rápido e garantia de cobertura aos recursos que forem necessários ao seu usuário - o paciente - que ultimamente vem sendo tratado de forma a tornar-se impaciente.

Hoje, embora um número restrito domine o mercado, temos diversas empresas de planos de saúde no país. E o setor que cresceu cerca de 30% nos últimos 10 anos, prevê mais altas, engordando cada vez mais suas já “obesas” receitas. Tudo isso porque os planos de saúde têm realmente um “plano” muito bem estruturado para atender seu consumidor: o plano único de aproveitar as lacunas e falhas deixadas pelo SUS para fisgar seu cliente através de seu primoroso escracho e dês-zelo no atendimento.

Creio que as vezes em que os convênios médicos não lideraram o ranking das reclamações, deve ter sido porque a telefônica e a Net cumprem muito bem seu papel no mercado. A acirrada disputa entre o “21” e o “Combo-Skavusca” versus a “carência zero”: que vença o pior.

Em contrapartida, mesmo com todos esses absurdos de tempos em tempos temos ainda que conviver com lindas frases de cidadania como se tudo fosse ficar uma maravilha e os escritos no papel plausíveis de tornar-se realidade com o simples poder do verbo, e não através da ação de confrontar a inaptidão das autoridade competentes em reverter o quadro atual – no caso do SUS - ou as mesquinhas empresas de merda que capitalizam nosso bem-estar no plano particular.

A saúde é um direto de todos, sim. Porém, é dominada por questões do mercado. E enquanto continuarmos deste mesmo modo guiando-se por interesses, e com a inaceitável relação médico-convênio-paciente, não vejo como podemos modificar essa realidade. Para mim, extrapolam-se os limites éticos quando se quer ganhar em cima de uma necessidade primordial a todos.

Não suficiente, as empresas deste segmento mesmo assim exploram o trabalho e interferem na autonomia dos médicos. Colocam-se no direito de limitar exames, dispensar uso de medicamentos mais caros, isentar necessidade de procedimentos, diminuír tempo de internações, e diversas outras coisas que são de direito do paciente. Ou seja, atuam como verdadeiros profissionais da medicina sem mesmo submeter-se ao Juramento de Hipócrates: “mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência” – Ah, bobagem!

Enquanto isso, do outro lado, médicos ganham valores irrisórios por consultas ou cirurgias – chega a se pagar entre R$14 e R$30 reais a consulta - sem contar que na maior parte das vezes não recebem pelo segundo atendimento ao paciente, já que o mesmo tem o direito a um retorno sem que este seja cobrado. Por conta disso, tais profissionais são obrigados a atender o maior número possível de pacientes para obter o retorno devido pelo seu trabalho, o que acaba por limitar o tempo de consulta e a atenção devida que deveria ser dispensada ao doente e, muitas vezes, resultar num diagnóstico/terapia precários.

Já na particular, deve-se estar preparado para desembolsar em média a bagatela de 200 a 300 reais por consulta. Ou se for convênio, satisfazer-se com escassos reembolsos que mal "enchem os bolsos". Ainda que, por motivos óbvios, nessa a atenção dada por consulta no geral seja maior e a duração equivalente à satisfação da necessidade do paciente, como deveria ser em todo e qualquer atendimento. Apesar disso, não se pode questionar jamais tal conduta. Pois o médico, como qualquer outro profissional, tem também o direito de zelar pelo seu trabalho e conhecimento, querendo a retribuição devida pelo mesmo e dispondo de seu serviço conforme o valor que dão por ele. Se há errados nessa história, a culpa principal ainda recai sobre os ombros da saúde pública deficiente, dos convênios, e seus estúpidos critérios políticos e econômicos.

Em meio a tantos erros, a saúde particular pode sim ainda ser considerada melhor - ou menos pior - que a pública, embora em determinados critérios possam ser colocadas em um mesmo plano. Já que às vezes sinto em ver que a única diferença entre o SUS e a saúde privada hoje é que no primeiro você se sente frustrado por ser mal atendido, e no segundo frustrado por pagar muito e ser ainda mal atendido.

Mas o pior nem é isso, e sim saber que cada vez mais as falhas dos convênios vão além do que estimamos, basta que precisemos utilizá-los para descobri-las. Consultas e exames são marcados com grande dificuldade, a burocracia para liberação de exames e cirurgias é enorme - podendo durar meses mesmo diante de casos de urgência – problemas com reembolso e, principalmente, o péssimo atendimento dado pelo convênio para a obtenção de informações para toda e quaisquer dúvida ou necessidade que se tenha. Somos tratados com “pouco caso”, sem direitos ou aberturas para reclamar e tendo um retorno inferior as nossas expectativas. O convênio nos dá realmente uma ótima assistência: a assistência de "assisti-lo" na busca terapêutica.

Nos hospitais não há vagas, laboratórios de análises monopolizam o mercado, médicos ganham baixos honorários, profissionais da saúde são explorados e mal pagos, não há investimento para manter não só a qualidade dos procedimentos, mas também dos serviços de atendimento, há dificuldades enormes em se marcar consultas... De onde só podemos concluir que agência criada para regular o setor tanto regula que o deixa inferior ao “regular” se avaliado.

E em meio a todo esse caos, nós - dependentes deste setor - somos postos em macas, aguardando soluções enquanto os responsáveis zelam por nossa saúde: a pública SUSpendendo o atendimento e a conveniada fazendo o que lhe é conveniente.

A saúde vai muito além do termo dito após um espirro. E é nesse harmonioso contexto onde se pode de diversas formas definir facilmente tal setor. Resumidamente, lhe digo: a saúde é uma merda! Vista na dinâmica social de um banheiro: Público? Inutilizável. Privada? Dê a descarga.

Simples assim. E, enquanto a população fica restrita ao esgoto, os mandantes desse esquema gozam de sua plena saúde e bebericam seus lucros e louvores. E como o “champanhe” que enche a taça para um brinde, a “saúde” também tem um preço e um destino.

A garrafa - depois de paga - termina num gole. A saúde – depois de paga - na morte.

Erga seu copo, e aceite a dose: “Saúde”.

Na taça, conservar-se-ão imaculada a própria vida e própria arte - se assim hei de permitirem - até o fim...

Tim-tim.

 

Marina Pereira

 

ps: Texto dedicado à R.G., inspiração no tema em questão - e quem cuja a força sobressai-se frente à bestialidade e o descaso de medíocres empresas que usam a saúde única e exclusivamente como fonte de lucros e acúmulo de renda.



Escrito por Marina Pereira às 22h58
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Fim do Calendário

Submetidos a uma ordem. Não necessariamente rígidos, mas uma série de rituais vividos. Um sistema de iniciações e términos, com avanços e retrocessos.

Tão somente uma ordem que culmina num fim e, por conseguinte, dando abertura a um suposto “novo início”... Eis esta a inevitável passagem dos anos.

Todo fim de um ciclo nos faz refletir sobre tudo aquilo que fizemos antes. Assim sendo, o de um ano não viria a ser diferente. Uma ampla variedade de celebrações, festejos e preparações espirituais são características desse período, como se nos despedíssemos de tudo que ficou e nos permitíssemos visionar novas alternativas, novas metas. Um abandono completo de um passado deprimente que dá lugar exclusivo a um futuro otimista. Simples assim... ”Ceia, Jingle Bells, roupa branca, simpatias, fogos e um brinde!”

Entretanto, apesar da suposta alegria emanada, sempre achei esse período de fim de ano meio melancólico. Na realidade, há um bom tempo me peguei não sendo muito adepta a festas de Natal, Réveillon...mesa posta com mais lugares, melhores louças, mensagens fraternas e todos reunidos...como se apenas nessas datas ter isso fosse importante. E, fora delas, o restante seriam apenas outras noites seguidas por suas madrugadas.

Apesar da dualidade que pareça ser tudo isso, ao menos esse período é bom para resgatarmos familiares, amigos e pessoas - que seja por falta de tempo ou pela distância – deixamos de lado ao longo do ano, ou então as quais acabamos não dando a merecida atenção. Como muitos, nessas datas nunca deixo de lembrar dos que gosto e com os quais me importo. Do mesmo modo, não há como negar que é muito bom receber o carinho de pessoas queridas. Mas nunca lembro de forma que remeta mais a uma “obrigação”, tanto que faço meus votos sempre de modo sincero e ditos com palavras especificas a determinada pessoa. Não me sinto a vontade em utilizar sentimentos ou dizeres automáticos, talvez por sempre acabarem nos mesmos vocábulos que se renovam e aparecem do mesmo modo dali um ano.

Muitos são os que curtem essa época fervorosamente, enchendo-se de expectativas e vislumbrando grandes feitos - por vezes inalcançáveis – para os dias que vem pela frente. Já outros, antes de fitar o novo, giram seus pescoços em direção ao que passou, examinando mais profundamente e vendo o que colheram ou não: seus auges e quedas, subidas e descidas; aprendizados escutados e a entonação das vozes que nunca tornarão a ouvir.

Não diferente, creio que entre esses assumo uma postura mais introspectiva. Penso no que conquistei de bom, aquilo que fiz, as mãos que abriram portas... mas também sentindo a brisa, a falha, o erro, a frase...e percebendo que sempre falta uma coisa. E por uma viagem metafísica e carnal, o que parece não me dizer nada diz muita coisa.

É impossível uma demonstração absoluta disso. O futuro - é incerto. O mistério - impalpável.

Na impossibilidade de exprimir todos os sentimentos ou evocar qualquer desejo, apenas faço um adentro, mostrando-me grata a tudo que consegui este ano, dentre os quais muito de meus objetivos e - mais importante - agradecer aqueles que fizeram e continuam a fazer parte da minha vida. Os presentes e os que se fazem ser lembrados por si só, especiais do mesmo modo. Meus pais, avó, minha inigualável madrinha, os sempre fiéis – perturbados, problemáticos e hilários – amigos de sempre, e aqueles maravilhosos que tive por descobrir nesse período. Pois alguns, por se deixar, cairão na minha insignificância.

E assim segue-se o destino... Cada dia da vida tem um novo ciclo, talvez entre o nascer e o por do sol surja uma nova coisa. Nossas decisões são independentes, e a que cada um tem pra si talvez sejam mais acertadas do que as minhas.

Tudo o que se possa pedir em vão - ou acreditar que virá sem que haja precedentes e esforços - é nulo. Seria como acreditar que se é possível obter tudo por suficiência divina ou então que as coisas fossem drasticamente mudar com o passar de um dia. São desejos remotos e alheios, sem paladar pra vida. Dando origem a uma existência oca, neutra e perdida - que se furta a vida.

Ora assim, prefiro crer que a cada novo ano entramos na situação de passageiro. Num baú, deixamos as horas gastas. Na mala por levar, nada. O que temos a carregar que venha a ser útil, leva-se sempre presente num cofre: a mente.

Eu, tudo isto, e, além disto, o resto do mundo...

10, 9, 8, 7, 6...

Aproxima-se a hora de contar os últimos segundos.

Com o último ver dos olhos semicerrados, tento adivinhar o que há em frente.

Tudo é indeciso e sem fim.

Fecho os olhos e puxo o gatilho.

E depois, dêem-me o alvo que quiserem, que eu me lembrarei...é apenas a mesma vida...

Mais nada.

Passamos de mundo pra mundo, realidade pra realidade, sempre na ilusão que acarinha, no sonho que afaga.

Que como gesto último, traz-nos outro ano igual a este, a ser seguido por outro dia igual a este...

A um destino, para sí somente.

Marina Pereira

 

Boas festas a todos e um Ano Novo como o queiram.

 

E como me disse um amigo este ano, algo que adorei e achei justo: “Que tudo que seja verdadeiro e merecedor aconteça para nós, nossas famílias, nossos amigos e até mesmo nossos não tão amigos assim!”  

 

 



Escrito por Marina Pereira às 22h44
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Reflexo sem Espelho

Eu...e a água..."glub, glub..."

Situações de convívio me induzem a pensar. Certas pessoas, por sua postura e reações, direcionam-me a perguntar: quem somos nós para os outros e a nós mesmos?

Vivemos distantes e anônimos. Disfarçados e desconhecidos.

Tudo que foi de um jeito de repente mostra-se de outro. É como se nosso redor mudasse, e os personagens que co-existem nele revelassem-se. Como se ninguém fosse o que diz ser, e todos tivessem um segredo por revelar.

É então o que sinto quando paro pra pensar.

É então o que sinto quando penso sem parar.

É então o que sinto quando vejo.

Há quem seja várias pessoas em uma, conflitando em igual carência de personalidade com aquele que não é nenhuma.

Outros já demonstram ser quem não são. Ocultam seus verdadeiros pensamentos e desejos para adequar-se ao que é pela maioria bem aceito. Mesmo que venha a ser simplesmente, na maior parte das vezes, raso intelectualmente.  Afinal, tudo é mais simples para quem vive sem pensar.

Constituí-se assim - por sua vez - o padrão social em que para adequar-se ao mundo é preciso contrariar a si próprio. Ou ainda, sendo necessário, contrariar aqueles que nos são próximos e ao nosso lado a todo o momento se mostraram – através de bruscas mudanças e alternâncias de comportamento. Meras almas refugiadas, sem forma no entendimento.

Vivem uma vida que não lhes pertencem, afogando-se em personalidades que não lhes são próprias e mergulhando numa felicidade utópica.

Todos deparam com gente assim. Todos sabem apontar alguém assim. Se não os tem em suas vidas é porque ainda não os pode enxergar, ou prefere recusar tal convencimento.

E são estes mesmos, por quem tínhamos apreço, de quem tornamo-nos vítimas. Objetos para recusar, rejeitar, ignorar.

Destes, doeu-me sempre a indiferença. Mais que essa, a suposta enganação de que não há indiferença. Dedicação: tenho comigo. Esta, para comigo, desconheci.

Não vejo muitos serem aquilo que dizem ser. Não vejo mais muitos do que via serem o que eram antes. Não vejo também muitos serem aquilo que condizer-ia com a satisfação demonstrada em ser aquilo que “representam” ser. E, não menos pior, vejo muitos serem diversos seres além do que uma única pessoa ousaria ser.

Ser, haver, estar - mera mistura de verbos nominais que se deixam esconder ilusões. E não há verdade neles senão na ausência de ações.

Em contrapartida, deixando o outro de lado, paro e fito-me. Refletindo quem pensamos ser e de que maneira.

Seria aquilo que vejo o mesmo que enxergam em mim mesma?

Não saberia ao certo responder. Busco-me e não me encontro.

O que acho, não sei se tem nitidez a todo e qualquer olhar. Tudo é uma mistura, no vácuo do que supostamente posso haver de abrigar. Difícil de definir e determinar.

Desperta da ilusão do que poderia ser, arrisco dizer que talvez me tenha tão apenas como um produto da existência, fruto de mim mesma.

Falhada, confusa e incerta.

Um diário intimo, cadeado por um corpo. Ausente de chaves materialmente, mas destrancadamente presente físico e mentalmente.

Não raro penso se não me enquadro nesse mundo. Freqüente, devo ter sido taxada de estranha por diferir-me do padrão absoluto. Talvez por isso por mim sempre despertem apenas simpatia. Adoração, menos vezes.

É então o que eu sinto com visões claras quando me desço aos meus próprios olhos.

Não sigo a maioria, sigo minhas referências. Se erro, prefiro que seja por mim mesma do que por convicções alheias.

Assim sou. No interior dos muros que me estão em torno.

Idêntica a mim mesma. Esculpida numa sobriedade insubordinada a gestos, palavras e vidas aparentes.

Seja o que for, não sei bem ainda que tipo de interpretação deixo na memória através da retina do que me fita. Pode ser algo bom, do mesmo modo que ruim.  

Mas ainda, preferível assim, a opção sem tamanho de infiltrar-me um ser falso de um corpo desenterrado e estranho.

E viver uma vida fictícia e alheia, isenta de essência.

Gozar a vida contradizendo minha própria consciência com estupidez e ilusão de que isso me faria viver com demasiada paixão. Como uma estrela sem brilho, interpretando um papel no "palco-mundo" da atuação.

 

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 00h04
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Elegíveis: Nulo - Eleitores: Branco

 

Ano de eleição: tá ai uma época propícia para julgar o poder de argumentação não dos candidatos, mas sim dos eleitores. Afinal, os rostos e partidos que irão ilustrar o horário político e as já desgastadas promessas já nos são conhecidos. Agora, as nuances que fazem um eleitor optar por este ou aquele, ou então - mais comumente - posicionar-se na visão de que todo o governo é uma merda e merece nosso desprezo, é um ótimo alvo de análise para interpretar a forma de pensar de nossa sociedade e, conseqüentemente, o defasado sistema político administrativo ao qual somos submetidos.

Não é raro ouvir dizer por ai que independente de quem entre após o atual mandato será a mesma coisa. E depois desse, depois desse, depois desse, e assim sucessivamente. Nenhum candidato serve. Todos são uma farsa e haverá corrupção.

Mas pergunto: por que podemos afirmar com tanta convicção - e admito, acertando na maior parte das vezes - que tal situação será realmente a que iremos presenciar?

Talvez para tentar compreender parte desse caos inevitável, arrisco dizer que seria hora de voltar os dedos que apontam julgamento ao próprio peito e confrontar a nós mesmo.

Vivemos sob um regime de egoísmo, materialismo e comodidade. Queremos tudo fácil. Valorizamos o ganhar sem o trabalho, o conquistar sem a batalha, o êxito na derrota alheia e o dinheiro como único objetivo de vida. Almejamos “estar no auge”. Até a mentira passa a ser válida quando usada em beneficio próprio. Mas se uma pessoa pública faz isso ou segue tais princípios, não tarde é tida como ladra ou desonesta. Entretanto, se somos nós mesmo que assim agimos, há até um gracioso eufemismo para tornar a atitude aceitável e compreensiva: eis que surge o famoso “jeitinho brasileiro”. A esperteza é uma virtude! Valores e respeito? Ah, estes são tolices sub-humanas!

Não damos valor uns aos outros; o que não se consegue justamente se compra; jogamos lixo nas ruas e reclamamos do entupimento de bueiros; indignamo-nos com a falta de atenção à questão ambiental, mas não reciclamos nosso próprio lixo; reclamamos da corrupção, mas fraudamos pagamento de impostos; apontamos o descaso com os menos favorecidos, mas não damos lugar no ônibus ou na fila a um idoso ou deficiente físico... Ou seja, comportamo-nos como bichos inferiores ao homem na expressão de sí mesmos.

Todo o homem que age assim é, ainda que inconscientemente, egoísta e materialista. Características típicas que encontramos naqueles que nos comandam e fazem com que os mesmo ajam da forma a qual historicamente contestamos.

Deste modo, conclui-se que nossas atitudes não condizem com o que cobramos de nossos representantes. Queremos que o espelho da sociedade nos dê um falso reflexo.

Se há mentiras, enganação, interesse, autoritarismo, descaso e corrupção, é porque os mesmo estão presentes com excessivo destaque na população. Não há porque querer receber em troca um pote de ouro, quando nos mesmos oferecemos um pote de esterco. Dizem que o político a imagem daquele que o elege. Não suficiente, somos - portanto - uma vasta sociedade suja, medíocre e decadente.

Se não bastasse, além dos que expõe esses processos contraditórios e inconciliáveis de imaginar, há de se confessar que parte significativa da população também não dispõe de um bom poder de análise e senso crítico. Não por falta de capacidade, mas sim por falta de vontade. É mais cômodo olhar sem enxergar, concordar sem pensar, e - por conseguinte - aceitar sem rebater.

Confesso que não é fácil usufruir destes sentidos quando os alvos são políticos, já que os mesmos muitas vezes parecem envoltos de uma película protetora de modo a impedir a visualização de suas imperfeições. Onde nem telejornais, entrevistas, fotos e revistas, são capazes de romper tal barreira, já que dificilmente confrontam o candidato da maneira desejável.

Por conta disso grande parte da aparição pública deles não passa de uma ficção. Quem sabe não seja este o motivo pelo qual eles sejam apresentados antes de capítulos de novela...sendo uma espécie de “malhação” que treina os futuros protagonistas da principal novela da teledramaturgia que vem após a apuração dos votos.

Talvez uma boa uma alternativa fosse fazer o horário político como um reality show, onde a eliminação corresponderia ao sentido literal da palavra. Mas receio que não venha a ser de interesse das grandes emissoras, já que o programa não teria longa duração – fator contribuinte para ir cativando aos poucos o público e atingindo altos índices no ibope - devido ao número excessivo de elementos que seriam postos no paredão. Além do que pergunto: quem seria o anjo? “Salve-salve meus heróis”. Mas onde estão vocês?

Não há mais o que esconder. Todos os eleitores - independentemente do grau de instrução - sabem o que rola na política. Temos até uma capital federal para a farra onde se unem as estrelas do espetáculo. A "outra obra" de Niemeyer onde não intencionalmente temos carnaval e diversão graças aos cativantes passistas do “sambódromo congressista”. Brasília, de fato, tornou-se símbolo da corrupção, sendo amplamente conhecida por toda a população. Basta que pergunte a alguém “onde fica Brasília?”, para não se espantar ao ouvir: “No Jornal Nacional", claro. 

Não há candidato ideal, não há partido perfeito. Sendo assim, acredito que nós - como um todo - que devemos ser eleitos. Candidatando-nos através de nossos atos em prol do bem comum. Deixando de lado egoísmos, trapaças e atitudes indolentes que visam apenas o próprio bem estar e satisfação. Evoluir como pessoas, constituindo uma sociedade composta de humanos, não apenas de unidades de vida desprovidas de sendo de coletivo e desimportantes com o futuro que nos espera diante da inutilidade das teorias praticas políticas

Sei que não tardará em chegar à hora, um teclado numérico estará disponível, apenas aguardando a combinação de dígitos perfeita. Fora de mim, crio a imagem de teclas definidas: verde confirma, vermelho corrige, branco abdica. Dentro de mim, crio um estado com uma política, com partidos, revoluções. Prezo o esforço mais que a medalha, e não gozo a glória de submeter-me a tudo socialmente.

E, conseguintemente agindo, num esforço involuntário democraticamente exigido pela nação, prevaleço anulando minha decisão.

Enquanto continuar a enxergar as coisas da maneira que enxergo e não ver esforços para erradicar os vícios que temos como povo, manterei pra mim que nenhuma solução se vigorará com o aperto de um botão. Pois se assim fosse, diria que no nosso meio alguém se esqueceu de apertar o “ON”.

Para muitos isso pode ser indiferente ou mero exagero, que assim achem. Quem sabe talvez um dia eu venha a contrariar aquilo que acredito ser correto e me encaixe naquilo que a maioria preza como modo de levar a vida... E tanto me habitue sentir o falso como o verdadeiro, o sonhado tão nitidamente como o visto, que perca a distinção humana - falsa, creio eu - entre a verdade e a mentira. Morrendo como um símbolo inanimado, sem perceber o quão útil poderia ter sido para a sociedade que hoje me intriga. Jazendo, assim, como um resquício de imaginação perdida...do mesmo modo que jaz tantas e tantas promessas políticas.

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 21h19
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Laços de Uma Amizade

 

O mundo. Habitado por inúmeros seres, dominado por humanos. Pessoas que vivem coletivamente, mas, em contrapartida, pensam e agem muitas vezes como se existissem individualmente. 

Hoje, o sistema que vivemos, aliado ao nosso ritmo de vida, condiciona as pessoas a agirem assim. A realidade é tida como uma desafiante selva, onde o que vale é a própria sobrevivência, mesmo que os meios pra isso venham a por em risco ou prejudicar a dos demais. A lei é clara: fazer uso de todas as possibilidades para conquistar o que se quer. O objetivo único: alcançar o próprio bem estar e satisfação. Fazendo com que assim o verbo existir assuma um caráter egoísta na sua forma de agir.

Mas o que mais me entristece não é apenas essa visão geral para a qual parecermos estar cada vez mais sendo guiados, mas sim ver partes disso refletido no que há de mais gratificante na nossa existência, ou seja, nas relações humanas.

As pessoas parecem não mais se importar uma com as outras, esquecendo o passado e baseando suas relações de acordo com aquilo que hoje lhes interessa. Quando alguém pode ser útil, o laço afetivo persiste. Quando esse passa a ser desimportante ou então há outros cuja presença momentânea traga mais repercussão, o nó deste mesmo laço desata-se com a maior naturalidade. Talvez isso explique porque não é raro decepcionar-se com muitos que conhecemos. Raro sim é ouvir um testemunho de alguém que nunca sentiu esse desgosto perante uma amizade iludida.

Um alegre impulso que chega até nós e vai perder-se no horizonte. Onde não se impõe a virtude do valioso significado da palavra amigo. Termo o qual deveria ser dito ao mesmo tempo com a beleza e estilo de um literário valor.

Embora seja às vezes difícil querer enxergar, há de se encarar que uma hora essa superficial consideração vem à tona. Tolos são aqueles que acham que com simples acenos distantes e meras atuações que demonstrem afeto podem manter ou fazer com que alguém acredite que ainda há espaço à palavra amigo. Agir como se tudo ainda fosse a mesma coisa apenas funciona como um substituto da realidade para encarar situação. Afinal, o comportamento padrão nunca compromete ninguém e mantêm, mesmo que ilusoriamente, a consciência tranqüila. E antes que muitos se confundam, amizade em nada tem a ver com a freqüência com que se vê alguém, mas sim o quão importante esse alguém pode ser a você. Sendo que para ser sincera, este deva ser um sentimento mútuo. Alguém capaz de torcer por você e pra você, sempre. Sem nenhuma condição, nenhuma imposição.

Tenho a sorte de estar entre aqueles que usufruem de uma boa amizade. Amigos os quais pude conhecer de perto suas capacidades morais e intelectuais, em carne e osso, das mais variadas facetas e personalidades em formação, onde o modo de apresentar-se não é e nem nunca foi o mais importante. Inclusive tive recentemente a grande satisfação de conhecer pessoas de enorme valor em locais onde nunca imaginava estar. Pessoas que nos acompanham de perto ou de longe, sempre em um canto do coração. 

Afinal, o maior valor que tiro de alguém se encontra baseado nos seus princípios. Repudio quem faz social e se posa de "agradável". Quem se vende ou compra simpatias, mantêm uma falsa conta no banco de amizades. Sobretudo, deste não sou cliente. Os que gozam deste serviço, para mim, se vão juntamente com seus "extratos de personalidade impressos” ao lixo.

Troco idéias com minhas conclusões e na mágoa do esquecimento, revirando-o percebo alguns que antes prezava inseridos nesse cesto.

Com os olhos da recordação, reconstituo “imagens” as quais não mais vale à pena dispensar atenção. Figuras que com o passar do tempo revelam que nunca realmente importaram-se com os que deixam, fazendo-os cair no fosso fundo do esquecimento. 

Nele, a pergunta dói: sumiu ou foi sumido? Respondo com emoção contida, certa indignação que não dá pra ser disfarçada.

Relembro, e prossigo.

Saudades: sinto e esqueço.

Relutante, consigo assim forjar para mim - em companhia da palavra como cúmplice permanente - que não mais cumplicidade e consideração há de merecer aquele que age indiferente e na lembrança não nos tem mais presente. 

E sem nada dizer, em uma desconexão que resiste a ser definitiva, deixo que estes sigam sua trilha. Onde se houver um "Adeus", será porque cumpriam apenas a formalidade em despedir-se. 

Um “até logo” não breve, escrito para ser aberto depois da partida. Vago, frio, oculto, mudo, e cheio de nada com a vida. 

 

 

 

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 22h39
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O Mundo Utópico dos "Reality Shows"

 

 

Não precisa gostar e nem acompanhar as constantes notícias que saem a respeito, basta ligar a TV para perceber que, mais uma vez, as famosas simulações do espetáculo da vida real monopolizam a grade programação e tornam-se foco dos mais variados tipos de mídia. Onde, embora sejamos teoricamente munidos do poder de escolha, nos vemos conduzidos a este entretenimento alternativo que nos é imposto.

 

 

Seja ambientado em adoráveis e rústicas fazendas, em casas com designes modernos ou mesmo em singelos cubículos solitários. O palco pode ser diferente, mas o objetivo do enredo é sempre o mesmo: explorar o gênero humano. E da sua forma mais simples... apelativa, sensacionalista, imoral, provocativa, popular e “divertida” - como deve ser.

 

Jogos de intriga, manipulação de comportamento, situações de extremo limite e mediocridade das relações humanas são as alegorias do espetáculo, tornando a realidade, como o próprio nome já diz, um “show”, embora intelectualmente vazio e oco.

 

 

Mas o que mais me intriga não são aqueles que conduzem e elaboram tais formatos de programa, mas sim os que se colocam servos destes, dispondo-se a participar de um disfarce irreal da vida, guiando-se por normas que não existem, regras que não existem e objetivos que não existem. Mas não porque lhes falte consciência, mas porque neles não pode haver consciência.

 

Suas imagens, suas idéias, seus atos, seus sentimentos - mediante a um contrato - vão todos sendo utilizados e conduzidos por circunstâncias externas alheias, impulsos de convívio e desconvívio, como instrumentos mágicos que levam a um só produto denominado “ibope”.

 

 

Sendo assim, os interesses e a futilidade da essência humana passam a ser cada vez mais claros. E é espantoso ver que milhares são os interessados em participar de tais picos de audiência, motivados pelo tradicional pensamento ambicioso, burro e acomodado de se “ganhar dinheiro fácil”.

Obter êxito financeiro através do trabalho e como conseqüência ser reconhecido por este é algo que soa muito bonito, e infelizmente na realidade é algo que continua a fluir apenas criando perspectivas poéticas, salve raras exceções.

 

Fama e dinheiro. Com maior e menor grau, este é um dueto por qual muitos são atraídos. As conseqüências vindas com estes junto ao sonho de mudar de vida sempre foram objetos de desejo de diversas pessoas, e esta é a fragilidade que vemos sempre ser explorada não só por alguns tipos de “reality shows”, mas por uma série de outros programas.

 

 

Vejo nisso, como em tudo, muitas coisas com as quais não concordo, sendo expressões irregulares e incoerentes se postas ao lado dos ideais que priorizo.

 

Suficiente, ergo-me da poltrona de onde vislumbro este mundo que me é apresentado. Afinal, nada disso me interessa. Nele, reconheço sempre a mesma paisagem. Estereótipos que a cada edição são sempre os mesmos - "nossos heróis", macunaímas do mundo moderno - diferenciando-se apenas nos nomes ; e um condutor superior, que por vezes é também chamado jornalista, talvez apenas como mero emprego ativo da ironia.  

 

 

Entretanto, ainda assim, outros permanecem sentados, confortavelmente acomodados divertindo-se com aquilo que me entedia. Não por serem desprovidos de bom-senso ou por não valorizarem a qualidade, mas talvez apenas por terem a habilidade de ver sem pensar.

 

 

Não me indigno, só lamento. Não protesto, só retiro-me desse jogo, direcionando-me ao meu próprio tabuleiro. Onde há um “peão”, capaz de mover-se desambicionado por prêmios de um milhão em um ilusório universo de competição.

 

Afinal, achei sempre que a virtude estava em conseguir vencer, como obstáculos, a própria realidade do mundo. Sem público ou câmeras, tendo a liberdade vendida num acordo mudo comigo mesma. Com a auto-imagem não esculpida ou subordinada à exibição, e fora do alcance dos olhos do “grande irmão”. Que na minha realidade, é fadado à eliminação.

 

 

Marina Pereira

 



Escrito por Marina Pereira às 12h48
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Um dia da Infância...

Sei que o dia das crianças já passou, mas como não tive tempo na ocasião, surgiu-me agora a vontade de comentar algo a respeito... Apesar de hoje, ou talvez sempre, esta ser uma data meramente comercial, é também um dia que faz com que lembremos a infância. Esta indiscutivelmente muito diferente da que enxergo predominar hoje. Enquanto vibrava com meu telefone rosa em formato de elefante e o auge da tecnologia era meu Atari junto ao pense-bem, os atuais “pequenos” dotados de maiores exigências desfilam com seus modernos celulares e desfrutam da velocidade de seus computadores com moderníssimos processadores.

Quando criança, morava com meus pais, irmão e dois Filas em uma casa tranqüila, localizada em uma rua sem saída. Havia sempre brincadeiras de ruas: policia e ladrão, esconde-esconde, amarelinha, futebol, queimada, paredão (sem referências a reality show)... muitas delas deixaram lembranças eternas em meus joelhos através de cicatrizes e arranhões na perna, para o desgosto de minha tia, que nunca se conformou com sua sobrinha vândala. Bastava pouco para que me divertisse. Lembro-me até hoje que uma das coisas que mais gostava era entrar em um tambor de armazenar produtos químicos que tinha em casa, o qual meu adorável irmão em uma de nossas brincadeiras satânicas enchia de água, tampava e, em seguida, empurrava-o fazendo com que rolasse por uma rampa. E como um bom irmão que era, ia após a queda verificar se eu estava viva. Confesso que engolia litros de água, sim...isso devido as risadas que dava...e olha que nem químicos precisava usar pra isso. Fora esta, havia muitas outras coisas. Meu pais sempre propunham meios alternativos de brincadeiras. As da minha mãe, sempre ligadas a algo voltado à arte, que estimulassem a criatividade... para balancear com as do meu pai, um tanto esquisitas, inusitadas (terríveis por sinal) e “deseducativas”.

Enfim, por conta disso acho que nunca liguei muito para essa questão que atualmente é regra, em se ter um “presente de dia das crianças”. É claro, como toda a criança, gostava de ganhar algo, mas da mesma forma não ficava frustrada se não recebesse nada. Isso também se deve a um episodio muito marcante em relação a essa data, receio que possa até ser uma espécie de trauma.... pois foi a única vez em que pedi um presente. Em um desses saudosos “dia das crianças”, pedi a minha mãe uma boneca chamada “Magic Baby”. Ela, claro, comprou a singela novidade da Estrela para sua amada filha (ainda suspeito que tal ato seja também por um pouco de culpa por ter jogado fora meu óculos do chaves, alegando que eu ficaria vesga...um treco bizarro que era também um canudo com o qual eu tomava suco de groselha só para ver nitidamente as inúmeras voltas que o liquido dava...desde então nunca mais tomei groselha). Essa boneca tinha todo um ritual, que era o atrativo do brinquedo. Ela deveria ser colocada na água morna ate a fralda desprender e revelar o sexo do bebe. Tinha também um treco na bochecha, que deveria passar água morna...resumindo, uma serie de detalhes para desfrutar “EU e MEU brinquedo”. Entretanto, minha mãe meio impaciente por eu não compreenser o manual que vinha na caixa onde explicava tudo isso (relevem, eu era pequena), deu uma lida por cima e afogou a bela “Magic Baby” em um balde com água quente. Eu, com um sorriso na face e na maior expectativa, quando a tirei vi que a fralda não só tinha dissolvido como se desintegrado, junto ao cabelo que, em tese, não deveria ser molhado, fazendo virar uma espécie de “esponja vegetal”. Pra ter uma idéia, minha boneca ficou algo semelhante ao que era a Carla Perez quando entrou no “É o Tchan”. Mas apesar do pesares, a aparência final dela nunca foi um motivo que me despertou preconceitos ao ponto de desprezá-la. Assim que ela saiu do varal após esse processo (pois alem de tudo seu corpo era de tecido, ficando levemente esbranquiçado por conta das queimaduras de terceiro grau em sua composição 100% algodão), amei-a como se fosse realmente uma boneca adorável. Bom...Ao menos prefiro acreditar que gostei tanto dela que nunca mais precisei pedir outro presente...

Recordações com estas podem ser um tanto bobas, mas assim como a que relatei, muitas outras ainda tenho. Episódios da imaginação que chamamos de realidade e voltam como imagens. Fotos que não lembro de serem tiradas, outras que recordo ter vivido. Algumas bem antigas, com idade, aparência e estatura diferentes.

Simples cenários comigo. Que eram meus.

Simplesmente eu. Pavorosamante eu.

Onde tudo se mistura. 

Infância vivida, futuro, presente.

Num espaço entre o que fui e o que sou.

 Eu de maria-chiquinhas, marcas simbólicas de minha doce infância (embora o pouco tempo que duravam intactas em meu cabelo)...coisas de minha mãe!

A espera do que serei.

Marina Pereira

 

 



Escrito por Marina Pereira às 22h46
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Um Longo Corredor...

Praia da Barra da Tijuca - RJ (sim, eu que tirei!) 

 

 

Pergunto-me. Incapaz que sou de responder, venho a devolver: O que é vida pra você?

Por fora somos vivos porque “vivemos”, por dentro somos vivos por nossos impulsos nervosos ainda serem transmitidos. Isso é o óbvio. Real escrito, mas simbólico quando colocado em prática, fazendo com que se tenha o paradoxo da vida utópica.

A simples passagem em um corredor remeteu-me a tais pensamentos. A vivência em uma ala em que, além de pacientes, grande parte é prisioneira de uma lista de espera. Onde o tempo, assim como antecipar o futuro, pode vir a interromper o presente.

Diversos são os que gozam de boa saúde e vivem miseravelmente. Mais ainda são os que têm a sua sensibilizada, mas procuram encarar o mundo sem gravitar-se nos próprios males. Mas há também aqueles que, com o pesar de seus problemas, deixam-se afundar junto a eles. Imergindo em seu próprio drama vivido e aumentando-o de conteúdo negativo.

Mas em meio a este ambiente, encontram-se outros tipos de seres. Que gerenciam o mundo exterior a fim de minimizar os danos ao interior. Essa, pois, poderia ser levada como a mais complexa arte existente. Não por ser difícil aprendê-la, mas sim executá-la. Discursa-se com louvor e orgulho o quão bom tais atos podem ser, mas silencia-se no momento em que é exigido a estes recorrer.

O corredor é tenso. Pelos bancos, a apreensão dos que os amam e prezam. Em cada leito, uma dúvida. Junto à expectativa de encontrar uma saída que os leve a ter novamente uma vida através da aquisição do bem mais escasso existente.

Queria eu que todos fossem alegres, saudáveis, normais. E essa é a proposta que, enquanto não há solução definitiva, por alguns profissionais é levada. Onde em meio ao desgaste e dedicação, sabem extrair pequenos prazeres das mais inusitadas e tensas situações. Meras alegrias e melhoras alheias fazem juz a sua causa. Inserida ali, percebo o quão egoísta é o mundo externo. Focado nas próprias vontades e feitos e apenas atento ao próprio bem estar e satisfação.

Aos poucos vou compreendendo, enxergando o que há em tal relação. A criação de um elo forte e ao mesmo tempo frágil: rígido na consideração e vulnerável por fatores fisiológicos.

Tenho ainda mais dias a cumprir, fazendo com que volte ali. Sei que alguns dos que vi, não mais estarão. Assim como outros novos, lá chegarão.

Altas e baixas.

Perdas e ganhos.

Receptor e doador.

Morte e vida.

Em meio à antítese, cada um doa o que tem de si. Buscando algo compatível com o que está disposto a conceder. Com a certeza por dentro de que, para tais relações, não há rejeição de enxerto.

Pois bem, novamente, ressurge-me a questão: "O que seria vida então?"

Não suficiente, resisto-me ainda a definir... continuo vendo-a como algo passageiro e conjunto, dependendo de si próprio e dos outros para vir a existir.

Mas arrisco a dizer que, talvez, por não explicá-la, apenas possamos senti-la. Pois receio que uma definição coerente para a complexidade da palavra "vida", só venha a ser encontrada quando a mesma por nós for perdida. Assim como me encontro, saindo de minha própria existência...

Hoje aqui, amanhã o escuro. 

 

 

Marina Pereira.



Escrito por Marina Pereira às 16h18
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A Sede de Poder na Política

Com exceção da nota, o resto é meu...

Seja nos jornais, TV, impressos em noticias ou até mesmo incluso nas banalidades cotidianas, a política sempre aparece como tema de conversas ou, no mínimo, como sujeito de frases feitas, que se viessem em “biscoitos”, garanto que não seria nos da “sorte”. Além, é claro, de ser a tradicional culpada por tudo o que possa existir de errado.

Vivemos em uma sociedade em que a imagem do político encontra-se desgastada há um bom tempo, onde o termo resignado a tal representante pode até ser empregado como sinônimo de uma ampla variedade de adjetivos pouco amistosos. E diante disso não há o que se questionar, já que anos a espera de promessas de mudanças denominadas “democráticas” despertou certo repudio a essa “classe trabalhadora”. Afinal, a população - por mais descrente que seja - sempre fica a espera de um retribuição por aquilo que lhe é garantido pelo direito de cidadania. Ou até mesmo, em alguns casos, por confiar na doce e cativante imagem de seu candidato, que ilude os eleitores fazendo-os acreditar que estes tem o ideal de batalhar coisas em prol da sociedade. Para isto, basta confiar a eles seu voto. Tudo é feito para funcionar quase como uma espécie de “criança-esperança”, onde o “depende de nós” se restringe a tecla “confirma” ao invés do tradicional e não menos temeroso 0800. Mas não se enganem, assim como o Didi que se faz de bobo provocando inúmeras gargalhadas, o político também deve rir da ingenuidade de seu público-eleitor nos bastidores.

Na verdade toda essa “novela-democratica” pela qual passamos não passa apenas de um esforço feito por partidos e seus influentes para conseguir votos e conquistar o mais elegante e sedutor dos desejos: o poder.

Quando finalmente o conquista, o político fica subordinado a quem lhe garanti-lo nas mãos. E é sob tal situação que se tornam mais evidentes as piores caracteristicas que podem assolar a raça humana.

Detendo o poder, o político torna-se tirano, pois com ele pode abusar exigindo dos outros o que prefere não fazer, detendo assim a autoridade de acordo com a própria vontade. Mas antes disso para fazer juz ao regime de governo que vivemos, não se esquecendo de fixar a idéia de que sua escolha é a melhor, impregnando a “vontade pessoal” e tornando-a de modo livre, consentido e democrático a “vontade geral”. Uma boa propaganda, alguns números e pequenas frases impactantes são suficientes para manipular algumas mentes e anestesia-las para tal aceitação. O resto, o boca-a-boca faz sua parte funcionando como um instrumento bastante efetivo de padronização de pensamentos em massa.

Presidentes, governadores, senadores, deputados...Todos eles desejam ter o poder. Parece que este é algo que funciona como uma droga, capaz de proporcionar de modo rápido e gratificante uma espécie de satisfação interior. E para tal "medicamento”, nenhum genérico é aceitável.

Com toda essa glória conquistada, não há mais porque se importar com seus atos. Sendo assim, milhares de absurdos e mentiras começam a rondar o mundo da política. E ao contrário do que deveria ser, isso não suja a imagem destas pessoas. Basta apenas uma borracha para corrigir os erros e recomeçar outra página, enfeitando a letra, aperfeiçoando a palavra e, assim, enganando a todos.

Mas toda essa glória que alguns aplaudem não passa de pura vaidade. Vejo muitos brindarem as promessas vãs e contentarem-se com migalhas inferiores a nossas expectativas, ficando na mesma marcha lenta não-manifestativa acomodada e condicionada ao inconformismo contido. Não seja, pois, de surpreender que minhas palmas não se unam a esta perfeita aceitação.

O político se esforça para estar sempre melhorando sua caligrafia, e faz do poder um magnífico apontador com o qual afia suas letras tornando-as bonitas e sedutoras. Mas todos sabem que o apontador - além de apontar o lápis - o desgasta e o reduz. Logo, torna-se tão pequeno que não presta. E como tudo que o poder afia, acaba no lixo.

Marina.



Escrito por Marina Pereira às 01h08
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