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Era Outra Vez...


Laços de Uma Amizade

 

O mundo. Habitado por inúmeros seres, dominado por humanos. Pessoas que vivem coletivamente, mas, em contrapartida, pensam e agem muitas vezes como se existissem individualmente. 

Hoje, o sistema que vivemos, aliado ao nosso ritmo de vida, condiciona as pessoas a agirem assim. A realidade é tida como uma desafiante selva, onde o que vale é a própria sobrevivência, mesmo que os meios pra isso venham a por em risco ou prejudicar a dos demais. A lei é clara: fazer uso de todas as possibilidades para conquistar o que se quer. O objetivo único: alcançar o próprio bem estar e satisfação. Fazendo com que assim o verbo existir assuma um caráter egoísta na sua forma de agir.

Mas o que mais me entristece não é apenas essa visão geral para a qual parecermos estar cada vez mais sendo guiados, mas sim ver partes disso refletido no que há de mais gratificante na nossa existência, ou seja, nas relações humanas.

As pessoas parecem não mais se importar uma com as outras, esquecendo o passado e baseando suas relações de acordo com aquilo que hoje lhes interessa. Quando alguém pode ser útil, o laço afetivo persiste. Quando esse passa a ser desimportante ou então há outros cuja presença momentânea traga mais repercussão, o nó deste mesmo laço desata-se com a maior naturalidade. Talvez isso explique porque não é raro decepcionar-se com muitos que conhecemos. Raro sim é ouvir um testemunho de alguém que nunca sentiu esse desgosto perante uma amizade iludida.

Um alegre impulso que chega até nós e vai perder-se no horizonte. Onde não se impõe a virtude do valioso significado da palavra amigo. Termo o qual deveria ser dito ao mesmo tempo com a beleza e estilo de um literário valor.

Embora seja às vezes difícil querer enxergar, há de se encarar que uma hora essa superficial consideração vem à tona. Tolos são aqueles que acham que com simples acenos distantes e meras atuações que demonstrem afeto podem manter ou fazer com que alguém acredite que ainda há espaço à palavra amigo. Agir como se tudo ainda fosse a mesma coisa apenas funciona como um substituto da realidade para encarar situação. Afinal, o comportamento padrão nunca compromete ninguém e mantêm, mesmo que ilusoriamente, a consciência tranqüila. E antes que muitos se confundam, amizade em nada tem a ver com a freqüência com que se vê alguém, mas sim o quão importante esse alguém pode ser a você. Sendo que para ser sincera, este deva ser um sentimento mútuo. Alguém capaz de torcer por você e pra você, sempre. Sem nenhuma condição, nenhuma imposição.

Tenho a sorte de estar entre aqueles que usufruem de uma boa amizade. Amigos os quais pude conhecer de perto suas capacidades morais e intelectuais, em carne e osso, das mais variadas facetas e personalidades em formação, onde o modo de apresentar-se não é e nem nunca foi o mais importante. Inclusive tive recentemente a grande satisfação de conhecer pessoas de enorme valor em locais onde nunca imaginava estar. Pessoas que nos acompanham de perto ou de longe, sempre em um canto do coração. 

Afinal, o maior valor que tiro de alguém se encontra baseado nos seus princípios. Repudio quem faz social e se posa de "agradável". Quem se vende ou compra simpatias, mantêm uma falsa conta no banco de amizades. Sobretudo, deste não sou cliente. Os que gozam deste serviço, para mim, se vão juntamente com seus "extratos de personalidade impressos” ao lixo.

Troco idéias com minhas conclusões e na mágoa do esquecimento, revirando-o percebo alguns que antes prezava inseridos nesse cesto.

Com os olhos da recordação, reconstituo “imagens” as quais não mais vale à pena dispensar atenção. Figuras que com o passar do tempo revelam que nunca realmente importaram-se com os que deixam, fazendo-os cair no fosso fundo do esquecimento. 

Nele, a pergunta dói: sumiu ou foi sumido? Respondo com emoção contida, certa indignação que não dá pra ser disfarçada.

Relembro, e prossigo.

Saudades: sinto e esqueço.

Relutante, consigo assim forjar para mim - em companhia da palavra como cúmplice permanente - que não mais cumplicidade e consideração há de merecer aquele que age indiferente e na lembrança não nos tem mais presente. 

E sem nada dizer, em uma desconexão que resiste a ser definitiva, deixo que estes sigam sua trilha. Onde se houver um "Adeus", será porque cumpriam apenas a formalidade em despedir-se. 

Um “até logo” não breve, escrito para ser aberto depois da partida. Vago, frio, oculto, mudo, e cheio de nada com a vida. 

 

 

 

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 22h39
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