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Era Outra Vez...


Elegíveis: Nulo - Eleitores: Branco

 

Ano de eleição: tá ai uma época propícia para julgar o poder de argumentação não dos candidatos, mas sim dos eleitores. Afinal, os rostos e partidos que irão ilustrar o horário político e as já desgastadas promessas já nos são conhecidos. Agora, as nuances que fazem um eleitor optar por este ou aquele, ou então - mais comumente - posicionar-se na visão de que todo o governo é uma merda e merece nosso desprezo, é um ótimo alvo de análise para interpretar a forma de pensar de nossa sociedade e, conseqüentemente, o defasado sistema político administrativo ao qual somos submetidos.

Não é raro ouvir dizer por ai que independente de quem entre após o atual mandato será a mesma coisa. E depois desse, depois desse, depois desse, e assim sucessivamente. Nenhum candidato serve. Todos são uma farsa e haverá corrupção.

Mas pergunto: por que podemos afirmar com tanta convicção - e admito, acertando na maior parte das vezes - que tal situação será realmente a que iremos presenciar?

Talvez para tentar compreender parte desse caos inevitável, arrisco dizer que seria hora de voltar os dedos que apontam julgamento ao próprio peito e confrontar a nós mesmo.

Vivemos sob um regime de egoísmo, materialismo e comodidade. Queremos tudo fácil. Valorizamos o ganhar sem o trabalho, o conquistar sem a batalha, o êxito na derrota alheia e o dinheiro como único objetivo de vida. Almejamos “estar no auge”. Até a mentira passa a ser válida quando usada em beneficio próprio. Mas se uma pessoa pública faz isso ou segue tais princípios, não tarde é tida como ladra ou desonesta. Entretanto, se somos nós mesmo que assim agimos, há até um gracioso eufemismo para tornar a atitude aceitável e compreensiva: eis que surge o famoso “jeitinho brasileiro”. A esperteza é uma virtude! Valores e respeito? Ah, estes são tolices sub-humanas!

Não damos valor uns aos outros; o que não se consegue justamente se compra; jogamos lixo nas ruas e reclamamos do entupimento de bueiros; indignamo-nos com a falta de atenção à questão ambiental, mas não reciclamos nosso próprio lixo; reclamamos da corrupção, mas fraudamos pagamento de impostos; apontamos o descaso com os menos favorecidos, mas não damos lugar no ônibus ou na fila a um idoso ou deficiente físico... Ou seja, comportamo-nos como bichos inferiores ao homem na expressão de sí mesmos.

Todo o homem que age assim é, ainda que inconscientemente, egoísta e materialista. Características típicas que encontramos naqueles que nos comandam e fazem com que os mesmo ajam da forma a qual historicamente contestamos.

Deste modo, conclui-se que nossas atitudes não condizem com o que cobramos de nossos representantes. Queremos que o espelho da sociedade nos dê um falso reflexo.

Se há mentiras, enganação, interesse, autoritarismo, descaso e corrupção, é porque os mesmo estão presentes com excessivo destaque na população. Não há porque querer receber em troca um pote de ouro, quando nos mesmos oferecemos um pote de esterco. Dizem que o político a imagem daquele que o elege. Não suficiente, somos - portanto - uma vasta sociedade suja, medíocre e decadente.

Se não bastasse, além dos que expõe esses processos contraditórios e inconciliáveis de imaginar, há de se confessar que parte significativa da população também não dispõe de um bom poder de análise e senso crítico. Não por falta de capacidade, mas sim por falta de vontade. É mais cômodo olhar sem enxergar, concordar sem pensar, e - por conseguinte - aceitar sem rebater.

Confesso que não é fácil usufruir destes sentidos quando os alvos são políticos, já que os mesmos muitas vezes parecem envoltos de uma película protetora de modo a impedir a visualização de suas imperfeições. Onde nem telejornais, entrevistas, fotos e revistas, são capazes de romper tal barreira, já que dificilmente confrontam o candidato da maneira desejável.

Por conta disso grande parte da aparição pública deles não passa de uma ficção. Quem sabe não seja este o motivo pelo qual eles sejam apresentados antes de capítulos de novela...sendo uma espécie de “malhação” que treina os futuros protagonistas da principal novela da teledramaturgia que vem após a apuração dos votos.

Talvez uma boa uma alternativa fosse fazer o horário político como um reality show, onde a eliminação corresponderia ao sentido literal da palavra. Mas receio que não venha a ser de interesse das grandes emissoras, já que o programa não teria longa duração – fator contribuinte para ir cativando aos poucos o público e atingindo altos índices no ibope - devido ao número excessivo de elementos que seriam postos no paredão. Além do que pergunto: quem seria o anjo? “Salve-salve meus heróis”. Mas onde estão vocês?

Não há mais o que esconder. Todos os eleitores - independentemente do grau de instrução - sabem o que rola na política. Temos até uma capital federal para a farra onde se unem as estrelas do espetáculo. A "outra obra" de Niemeyer onde não intencionalmente temos carnaval e diversão graças aos cativantes passistas do “sambódromo congressista”. Brasília, de fato, tornou-se símbolo da corrupção, sendo amplamente conhecida por toda a população. Basta que pergunte a alguém “onde fica Brasília?”, para não se espantar ao ouvir: “No Jornal Nacional", claro. 

Não há candidato ideal, não há partido perfeito. Sendo assim, acredito que nós - como um todo - que devemos ser eleitos. Candidatando-nos através de nossos atos em prol do bem comum. Deixando de lado egoísmos, trapaças e atitudes indolentes que visam apenas o próprio bem estar e satisfação. Evoluir como pessoas, constituindo uma sociedade composta de humanos, não apenas de unidades de vida desprovidas de sendo de coletivo e desimportantes com o futuro que nos espera diante da inutilidade das teorias praticas políticas

Sei que não tardará em chegar à hora, um teclado numérico estará disponível, apenas aguardando a combinação de dígitos perfeita. Fora de mim, crio a imagem de teclas definidas: verde confirma, vermelho corrige, branco abdica. Dentro de mim, crio um estado com uma política, com partidos, revoluções. Prezo o esforço mais que a medalha, e não gozo a glória de submeter-me a tudo socialmente.

E, conseguintemente agindo, num esforço involuntário democraticamente exigido pela nação, prevaleço anulando minha decisão.

Enquanto continuar a enxergar as coisas da maneira que enxergo e não ver esforços para erradicar os vícios que temos como povo, manterei pra mim que nenhuma solução se vigorará com o aperto de um botão. Pois se assim fosse, diria que no nosso meio alguém se esqueceu de apertar o “ON”.

Para muitos isso pode ser indiferente ou mero exagero, que assim achem. Quem sabe talvez um dia eu venha a contrariar aquilo que acredito ser correto e me encaixe naquilo que a maioria preza como modo de levar a vida... E tanto me habitue sentir o falso como o verdadeiro, o sonhado tão nitidamente como o visto, que perca a distinção humana - falsa, creio eu - entre a verdade e a mentira. Morrendo como um símbolo inanimado, sem perceber o quão útil poderia ter sido para a sociedade que hoje me intriga. Jazendo, assim, como um resquício de imaginação perdida...do mesmo modo que jaz tantas e tantas promessas políticas.

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 21h19
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