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Era Outra Vez...


Reflexo sem Espelho

Eu...e a água..."glub, glub..."

Situações de convívio me induzem a pensar. Certas pessoas, por sua postura e reações, direcionam-me a perguntar: quem somos nós para os outros e a nós mesmos?

Vivemos distantes e anônimos. Disfarçados e desconhecidos.

Tudo que foi de um jeito de repente mostra-se de outro. É como se nosso redor mudasse, e os personagens que co-existem nele revelassem-se. Como se ninguém fosse o que diz ser, e todos tivessem um segredo por revelar.

É então o que sinto quando paro pra pensar.

É então o que sinto quando penso sem parar.

É então o que sinto quando vejo.

Há quem seja várias pessoas em uma, conflitando em igual carência de personalidade com aquele que não é nenhuma.

Outros já demonstram ser quem não são. Ocultam seus verdadeiros pensamentos e desejos para adequar-se ao que é pela maioria bem aceito. Mesmo que venha a ser simplesmente, na maior parte das vezes, raso intelectualmente.  Afinal, tudo é mais simples para quem vive sem pensar.

Constituí-se assim - por sua vez - o padrão social em que para adequar-se ao mundo é preciso contrariar a si próprio. Ou ainda, sendo necessário, contrariar aqueles que nos são próximos e ao nosso lado a todo o momento se mostraram – através de bruscas mudanças e alternâncias de comportamento. Meras almas refugiadas, sem forma no entendimento.

Vivem uma vida que não lhes pertencem, afogando-se em personalidades que não lhes são próprias e mergulhando numa felicidade utópica.

Todos deparam com gente assim. Todos sabem apontar alguém assim. Se não os tem em suas vidas é porque ainda não os pode enxergar, ou prefere recusar tal convencimento.

E são estes mesmos, por quem tínhamos apreço, de quem tornamo-nos vítimas. Objetos para recusar, rejeitar, ignorar.

Destes, doeu-me sempre a indiferença. Mais que essa, a suposta enganação de que não há indiferença. Dedicação: tenho comigo. Esta, para comigo, desconheci.

Não vejo muitos serem aquilo que dizem ser. Não vejo mais muitos do que via serem o que eram antes. Não vejo também muitos serem aquilo que condizer-ia com a satisfação demonstrada em ser aquilo que “representam” ser. E, não menos pior, vejo muitos serem diversos seres além do que uma única pessoa ousaria ser.

Ser, haver, estar - mera mistura de verbos nominais que se deixam esconder ilusões. E não há verdade neles senão na ausência de ações.

Em contrapartida, deixando o outro de lado, paro e fito-me. Refletindo quem pensamos ser e de que maneira.

Seria aquilo que vejo o mesmo que enxergam em mim mesma?

Não saberia ao certo responder. Busco-me e não me encontro.

O que acho, não sei se tem nitidez a todo e qualquer olhar. Tudo é uma mistura, no vácuo do que supostamente posso haver de abrigar. Difícil de definir e determinar.

Desperta da ilusão do que poderia ser, arrisco dizer que talvez me tenha tão apenas como um produto da existência, fruto de mim mesma.

Falhada, confusa e incerta.

Um diário intimo, cadeado por um corpo. Ausente de chaves materialmente, mas destrancadamente presente físico e mentalmente.

Não raro penso se não me enquadro nesse mundo. Freqüente, devo ter sido taxada de estranha por diferir-me do padrão absoluto. Talvez por isso por mim sempre despertem apenas simpatia. Adoração, menos vezes.

É então o que eu sinto com visões claras quando me desço aos meus próprios olhos.

Não sigo a maioria, sigo minhas referências. Se erro, prefiro que seja por mim mesma do que por convicções alheias.

Assim sou. No interior dos muros que me estão em torno.

Idêntica a mim mesma. Esculpida numa sobriedade insubordinada a gestos, palavras e vidas aparentes.

Seja o que for, não sei bem ainda que tipo de interpretação deixo na memória através da retina do que me fita. Pode ser algo bom, do mesmo modo que ruim.  

Mas ainda, preferível assim, a opção sem tamanho de infiltrar-me um ser falso de um corpo desenterrado e estranho.

E viver uma vida fictícia e alheia, isenta de essência.

Gozar a vida contradizendo minha própria consciência com estupidez e ilusão de que isso me faria viver com demasiada paixão. Como uma estrela sem brilho, interpretando um papel no "palco-mundo" da atuação.

 

Marina Pereira



Escrito por Marina Pereira às 00h04
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