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Era Outra Vez...


Fim do Calendário

Submetidos a uma ordem. Não necessariamente rígidos, mas uma série de rituais vividos. Um sistema de iniciações e términos, com avanços e retrocessos.

Tão somente uma ordem que culmina num fim e, por conseguinte, dando abertura a um suposto “novo início”... Eis esta a inevitável passagem dos anos.

Todo fim de um ciclo nos faz refletir sobre tudo aquilo que fizemos antes. Assim sendo, o de um ano não viria a ser diferente. Uma ampla variedade de celebrações, festejos e preparações espirituais são características desse período, como se nos despedíssemos de tudo que ficou e nos permitíssemos visionar novas alternativas, novas metas. Um abandono completo de um passado deprimente que dá lugar exclusivo a um futuro otimista. Simples assim... ”Ceia, Jingle Bells, roupa branca, simpatias, fogos e um brinde!”

Entretanto, apesar da suposta alegria emanada, sempre achei esse período de fim de ano meio melancólico. Na realidade, há um bom tempo me peguei não sendo muito adepta a festas de Natal, Réveillon...mesa posta com mais lugares, melhores louças, mensagens fraternas e todos reunidos...como se apenas nessas datas ter isso fosse importante. E, fora delas, o restante seriam apenas outras noites seguidas por suas madrugadas.

Apesar da dualidade que pareça ser tudo isso, ao menos esse período é bom para resgatarmos familiares, amigos e pessoas - que seja por falta de tempo ou pela distância – deixamos de lado ao longo do ano, ou então as quais acabamos não dando a merecida atenção. Como muitos, nessas datas nunca deixo de lembrar dos que gosto e com os quais me importo. Do mesmo modo, não há como negar que é muito bom receber o carinho de pessoas queridas. Mas nunca lembro de forma que remeta mais a uma “obrigação”, tanto que faço meus votos sempre de modo sincero e ditos com palavras especificas a determinada pessoa. Não me sinto a vontade em utilizar sentimentos ou dizeres automáticos, talvez por sempre acabarem nos mesmos vocábulos que se renovam e aparecem do mesmo modo dali um ano.

Muitos são os que curtem essa época fervorosamente, enchendo-se de expectativas e vislumbrando grandes feitos - por vezes inalcançáveis – para os dias que vem pela frente. Já outros, antes de fitar o novo, giram seus pescoços em direção ao que passou, examinando mais profundamente e vendo o que colheram ou não: seus auges e quedas, subidas e descidas; aprendizados escutados e a entonação das vozes que nunca tornarão a ouvir.

Não diferente, creio que entre esses assumo uma postura mais introspectiva. Penso no que conquistei de bom, aquilo que fiz, as mãos que abriram portas... mas também sentindo a brisa, a falha, o erro, a frase...e percebendo que sempre falta uma coisa. E por uma viagem metafísica e carnal, o que parece não me dizer nada diz muita coisa.

É impossível uma demonstração absoluta disso. O futuro - é incerto. O mistério - impalpável.

Na impossibilidade de exprimir todos os sentimentos ou evocar qualquer desejo, apenas faço um adentro, mostrando-me grata a tudo que consegui este ano, dentre os quais muito de meus objetivos e - mais importante - agradecer aqueles que fizeram e continuam a fazer parte da minha vida. Os presentes e os que se fazem ser lembrados por si só, especiais do mesmo modo. Meus pais, avó, minha inigualável madrinha, os sempre fiéis – perturbados, problemáticos e hilários – amigos de sempre, e aqueles maravilhosos que tive por descobrir nesse período. Pois alguns, por se deixar, cairão na minha insignificância.

E assim segue-se o destino... Cada dia da vida tem um novo ciclo, talvez entre o nascer e o por do sol surja uma nova coisa. Nossas decisões são independentes, e a que cada um tem pra si talvez sejam mais acertadas do que as minhas.

Tudo o que se possa pedir em vão - ou acreditar que virá sem que haja precedentes e esforços - é nulo. Seria como acreditar que se é possível obter tudo por suficiência divina ou então que as coisas fossem drasticamente mudar com o passar de um dia. São desejos remotos e alheios, sem paladar pra vida. Dando origem a uma existência oca, neutra e perdida - que se furta a vida.

Ora assim, prefiro crer que a cada novo ano entramos na situação de passageiro. Num baú, deixamos as horas gastas. Na mala por levar, nada. O que temos a carregar que venha a ser útil, leva-se sempre presente num cofre: a mente.

Eu, tudo isto, e, além disto, o resto do mundo...

10, 9, 8, 7, 6...

Aproxima-se a hora de contar os últimos segundos.

Com o último ver dos olhos semicerrados, tento adivinhar o que há em frente.

Tudo é indeciso e sem fim.

Fecho os olhos e puxo o gatilho.

E depois, dêem-me o alvo que quiserem, que eu me lembrarei...é apenas a mesma vida...

Mais nada.

Passamos de mundo pra mundo, realidade pra realidade, sempre na ilusão que acarinha, no sonho que afaga.

Que como gesto último, traz-nos outro ano igual a este, a ser seguido por outro dia igual a este...

A um destino, para sí somente.

Marina Pereira

 

Boas festas a todos e um Ano Novo como o queiram.

 

E como me disse um amigo este ano, algo que adorei e achei justo: “Que tudo que seja verdadeiro e merecedor aconteça para nós, nossas famílias, nossos amigos e até mesmo nossos não tão amigos assim!”  

 

 



Escrito por Marina Pereira às 22h44
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