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Era Outra Vez...


A-a-a-a...Atchin! Saúde?

 

Dia 7 de abril, quinta-feira, comemora-se o dia Mundial da Saúde. E, como forma de festejo, o mesmo será marcado por uma paralisação entre os profissionais médicos, indignados com as remunerações ruins que o planos pagam e com o "quadro atual" daquilo a que tanto se dedicam. O qual, ao meu critério, resume-se a uma pintura amadora, mal-acabada e isenta de valor artístico.

Não é novidade a ninguém que a saúde pública no Brasil é precária, não atende a demanda populacional, enfrenta dificuldades por deficiência de profissionais, organização social, estratégias de atendimento, má administração de verba - ou excesso dela aplicada em beneficio próprio - e milhares de outros pontos a mais que já são de pleno conhecimento de qualquer cidadão que aqui habita, ou que deixou de habitar em virtude dos mesmos.

Assim sendo, se formos considerar aquilo que é procurado como alternativa e possível solução para as condições encontradas no que se refere a este essencial setor, o foco centra-se na saúde privada.

A prestação de serviços de saúde nos dias atuais pelo SUS, por ser quantitativamente insuficiente e qualitativamente inadequada, faz com que optemos por um sistema temeroso que domina o mercado. Grandes empresas estas distribuídas por todas as partes esplendorosamente denominadas “convênios médicos”. Se ao menos o fato de pagar fosse garantia de eficiência, talvez uma parcela da população sentir-se-ia satisfeita e teria parte dos seus problemas resolvidos.

Mas a realidade não é essa. Foi-se o tempo onde saúde privada era sinônimo de atendimento rápido e garantia de cobertura aos recursos que forem necessários ao seu usuário - o paciente - que ultimamente vem sendo tratado de forma a tornar-se impaciente.

Hoje, embora um número restrito domine o mercado, temos diversas empresas de planos de saúde no país. E o setor que cresceu cerca de 30% nos últimos 10 anos, prevê mais altas, engordando cada vez mais suas já “obesas” receitas. Tudo isso porque os planos de saúde têm realmente um “plano” muito bem estruturado para atender seu consumidor: o plano único de aproveitar as lacunas e falhas deixadas pelo SUS para fisgar seu cliente através de seu primoroso escracho e dês-zelo no atendimento.

Creio que as vezes em que os convênios médicos não lideraram o ranking das reclamações, deve ter sido porque a telefônica e a Net cumprem muito bem seu papel no mercado. A acirrada disputa entre o “21” e o “Combo-Skavusca” versus a “carência zero”: que vença o pior.

Em contrapartida, mesmo com todos esses absurdos de tempos em tempos temos ainda que conviver com lindas frases de cidadania como se tudo fosse ficar uma maravilha e os escritos no papel plausíveis de tornar-se realidade com o simples poder do verbo, e não através da ação de confrontar a inaptidão das autoridade competentes em reverter o quadro atual – no caso do SUS - ou as mesquinhas empresas de merda que capitalizam nosso bem-estar no plano particular.

A saúde é um direto de todos, sim. Porém, é dominada por questões do mercado. E enquanto continuarmos deste mesmo modo guiando-se por interesses, e com a inaceitável relação médico-convênio-paciente, não vejo como podemos modificar essa realidade. Para mim, extrapolam-se os limites éticos quando se quer ganhar em cima de uma necessidade primordial a todos.

Não suficiente, as empresas deste segmento mesmo assim exploram o trabalho e interferem na autonomia dos médicos. Colocam-se no direito de limitar exames, dispensar uso de medicamentos mais caros, isentar necessidade de procedimentos, diminuír tempo de internações, e diversas outras coisas que são de direito do paciente. Ou seja, atuam como verdadeiros profissionais da medicina sem mesmo submeter-se ao Juramento de Hipócrates: “mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência” – Ah, bobagem!

Enquanto isso, do outro lado, médicos ganham valores irrisórios por consultas ou cirurgias – chega a se pagar entre R$14 e R$30 reais a consulta - sem contar que na maior parte das vezes não recebem pelo segundo atendimento ao paciente, já que o mesmo tem o direito a um retorno sem que este seja cobrado. Por conta disso, tais profissionais são obrigados a atender o maior número possível de pacientes para obter o retorno devido pelo seu trabalho, o que acaba por limitar o tempo de consulta e a atenção devida que deveria ser dispensada ao doente e, muitas vezes, resultar num diagnóstico/terapia precários.

Já na particular, deve-se estar preparado para desembolsar em média a bagatela de 200 a 300 reais por consulta. Ou se for convênio, satisfazer-se com escassos reembolsos que mal "enchem os bolsos". Ainda que, por motivos óbvios, nessa a atenção dada por consulta no geral seja maior e a duração equivalente à satisfação da necessidade do paciente, como deveria ser em todo e qualquer atendimento. Apesar disso, não se pode questionar jamais tal conduta. Pois o médico, como qualquer outro profissional, tem também o direito de zelar pelo seu trabalho e conhecimento, querendo a retribuição devida pelo mesmo e dispondo de seu serviço conforme o valor que dão por ele. Se há errados nessa história, a culpa principal ainda recai sobre os ombros da saúde pública deficiente, dos convênios, e seus estúpidos critérios políticos e econômicos.

Em meio a tantos erros, a saúde particular pode sim ainda ser considerada melhor - ou menos pior - que a pública, embora em determinados critérios possam ser colocadas em um mesmo plano. Já que às vezes sinto em ver que a única diferença entre o SUS e a saúde privada hoje é que no primeiro você se sente frustrado por ser mal atendido, e no segundo frustrado por pagar muito e ser ainda mal atendido.

Mas o pior nem é isso, e sim saber que cada vez mais as falhas dos convênios vão além do que estimamos, basta que precisemos utilizá-los para descobri-las. Consultas e exames são marcados com grande dificuldade, a burocracia para liberação de exames e cirurgias é enorme - podendo durar meses mesmo diante de casos de urgência – problemas com reembolso e, principalmente, o péssimo atendimento dado pelo convênio para a obtenção de informações para toda e quaisquer dúvida ou necessidade que se tenha. Somos tratados com “pouco caso”, sem direitos ou aberturas para reclamar e tendo um retorno inferior as nossas expectativas. O convênio nos dá realmente uma ótima assistência: a assistência de "assisti-lo" na busca terapêutica.

Nos hospitais não há vagas, laboratórios de análises monopolizam o mercado, médicos ganham baixos honorários, profissionais da saúde são explorados e mal pagos, não há investimento para manter não só a qualidade dos procedimentos, mas também dos serviços de atendimento, há dificuldades enormes em se marcar consultas... De onde só podemos concluir que agência criada para regular o setor tanto regula que o deixa inferior ao “regular” se avaliado.

E em meio a todo esse caos, nós - dependentes deste setor - somos postos em macas, aguardando soluções enquanto os responsáveis zelam por nossa saúde: a pública SUSpendendo o atendimento e a conveniada fazendo o que lhe é conveniente.

A saúde vai muito além do termo dito após um espirro. E é nesse harmonioso contexto onde se pode de diversas formas definir facilmente tal setor. Resumidamente, lhe digo: a saúde é uma merda! Vista na dinâmica social de um banheiro: Público? Inutilizável. Privada? Dê a descarga.

Simples assim. E, enquanto a população fica restrita ao esgoto, os mandantes desse esquema gozam de sua plena saúde e bebericam seus lucros e louvores. E como o “champanhe” que enche a taça para um brinde, a “saúde” também tem um preço e um destino.

A garrafa - depois de paga - termina num gole. A saúde – depois de paga - na morte.

Erga seu copo, e aceite a dose: “Saúde”.

Na taça, conservar-se-ão imaculada a própria vida e própria arte - se assim hei de permitirem - até o fim...

Tim-tim.

 

Marina Pereira

 

ps: Texto dedicado à R.G., inspiração no tema em questão - e quem cuja a força sobressai-se frente à bestialidade e o descaso de medíocres empresas que usam a saúde única e exclusivamente como fonte de lucros e acúmulo de renda.



Escrito por Marina Pereira às 22h58
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