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Era Outra Vez...


"Arte Pela Arte" - Para Arte

                                                          Meus rabiscos por fazer...

  

De diferentes formas, diversas interpretações, diferentes épocas, a arte é uma manifestação - se não um fenômeno - que sempre esteve presente de algum modo ao longo da história e na vida das pessoas. Seja retratando uma época, revelando idéias, fazendo manifesto, ou mero resultado de uma inquietação de seu autor, essa é tida como uma das maiores virtudes que se pode ter e um dos grandes presentes que a nossa vida pode nos dar.

A arte, por si só, é uma manifestação de vida. Um mundo a parte que nos permite pensar e mostrar - sem restrições - as mais variadas idéias e vontades que em nosso universo mais íntimo reside. E, melhor que isso, a arte nos permite uma façanha incrível: dividir e compartilhá-la com outros. Unindo diferentes pessoas, raças, povos e crenças distintas através de uma única semelhança - ou mera identificação - que muitas vezes nem vem a ser conhecida.

A arte não impõe divisas, ao contrário de muitas outras invenções humanas, ela aproxima seres através da mais singela demonstração artística, que nada mais é do que uma interpretação subjetiva da vida.

A vida por si só é inventada e a arte é um dos instrumentos dessa invenção, que tem do fenômeno artístico, obrigatoriamente, uma visão especial.

Arte falada, arte escrita, arte pintada, arte tocada... Diferentes formas de se apresentar e representar uma só única palavra.

Mas como sucumbir e deixar-se levar a esse fenômeno tão pessoal de criar?

Para os ditos artistas, isso é algo muito difícil de traçar. Inspiração, habilidade, dom, inteligência, sensibilidade, talento...talvez seja a mera união de diversos adjetivos e termos.

Um artista não se cria, esse se faz por si só. Ele tem que dispor da habilidade natural de unir criador e criatura num só.

Excepcionalmente, por qualquer preparação espiritualmente equivalente, ele deve permitir ao simples expectador de seu trabalho visionar emotivamente sua obra, sentir no coração que aquela vida própria com que os símbolos, palavras, sons, formas - ou seja lá qual forma artística demonstrada - são almas.

Para expor-se assim, revelando algo tão intimo e deixando a si próprio suscetível a especulações alheias, é necessário coragem. E é preciso que dessa atitude radical, alguma coisa nos comova e se some a esse mundo imaginário que foi criado. Pois apenas a audácia, por si só, não constitui valor artístico. Não basta fugir das normas, dos padrões, recomendações e situar-se no pólo oposto.  É impreensidível que a obra inusitada transcenda a banalidade e a sacação apenas cerebral ou extravagante, e crie efetivamente algo novo que se acrescente a realidade já existente.

Não é só através da arte o homem se inventa e reinventa o mundo em que vive. A ciência, a filosofia, a música, e a religião também participam dessa renovação, sendo que cada uma delas a faz de maneira diferente, razão porque – creio - foram todas inventadas.

Todas elas são necessárias - ainda que cada uma a seu modo e sem a mesma importância para as diferentes pessoas - e agregam diferentes valores igualmente indispensáveis para nosso enriquecimento intelectual e espiritual. E a maioria das pessoas - ou quase todas - usufrui, ainda que desigualmente, de cada uma delas com a liberdade de enxergá-las de um modo só seu particular de ver.

Nada me alegra mais do que me deparar com uma criação artística criativa, surpreendente, inusitadamente inovadora – que desperte o sentir no pensamento e o enxergar na alma. O que todos nos queremos é a maravilha, venha de onde vier, surja de onde surgir. Feliz é saber que mesmo em meio a tanta banalidade ainda há quem prestigie a arte de boa qualidade em nosso país.

Costumam dizer que se faz “arte” quando fazemos algo errado – o que não curioso geralmente envolve crianças. Talvez porque na arte temos a liberdade que não temos na vida. Liberdade esta que não nos impõe condutas, permitindo o agir e pensar sem submetê-los a normas e regras. Onde o “não controlar” individual nos deixa livres e, logo, realizamos as próprias vontades a partir daquilo que abdicamos para se viver em sociedade. E passando do plano psíquico para o físico, materializando tal sensação, temos expressa nossa criação: eis que surge a tão estimada "obra de arte". Em contraste, o ousar, inventar, inovar - na vida – não passam de quadros sem moldura - telas inacabadas - pois diferem no modo de serem vistos se não representados às margens de um pincel, por melodias, ou em meros borrões de tinta.

Por isso, na impossibilidade de exprimir todos os sentimentos, a arte que muitas vezes parece não dizer nada nos serve de fuga. Nela se encontra tudo aquilo que a vida não pode oferecer. E aqui cabe a afirmação, de que a arte existe porque a vida não basta.

Nisso está implícito que a arte não substitui a vida, e sim é um nostálgico ser que se recusa a morrer.

Difícil e incerto é o conceber-se possível uma impossível demonstração absoluta disso. Quanto mais examinamos essa objeção, mais profundamente verificamos que quem se cansa da arte se cansa da vida.
Fecha os olhos à morte, deixando só em torno de si uma bruma da existência já tida.
Fora disso, resta-nos só a obra - sem artista - sem a arte da vida.

Pairando distante, longínqua, e com uma grande inveja de realidade - que nos cega para a visão do eterno que apenas em si há mantida.

Sempre a gritar e sem jamais morrer,

A arte que declama a si mesma, tudo quanto sente sem saber por quê.

 

Marina Pereira

 

 

                 

Tela do amigo Antônio Lorenzo – quem a mim exemplifica o verdadeiro significado da palavra artista; e que toca no sentido intimo de toda a valia de arte.



Escrito por Marina Pereira às 23h24
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