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Era Outra Vez...


É assim...

Todos choram.

É assim. Sempre diante de uma tragédia onde inumeras vítimas inocentes por motivos que sempre nos intrigam perdem suas vidas, é assim.

O mundo fica em choque, as autoridade fingem não compreender, a opinião pública se exalta, a população - desde a mais esclarecida até o “senso comum” - se manifesta, a mídia se alucina, a imprensa entra em êxtase...e é assim - sempre assim.

Todos assistiram recente o triste incêndio que vitimou vários jovens no sul. Tal fato ganhou alcance mundial, como não podia deixar de ser, tamanha a gravidade e extensão da tragédia. E apesar de estar ainda consatantemente em discussão nos mais variados meios de comunicação, há muita coisa ainda por se esclarecer neste caso.

Acredito, como não podia deixar de ser, que temos sim que ter noção da dimensão do que uma tragédia representa, assim como acompanhar seu desfecho. Mas a ocorrência de fatos calamitosos como estes me faz questionar: até que ponto?

Sem querer, sinto que tenho estado a pensar que me parece que a midia se delicía com essas tragédias. E há considerar até determinados programas, eu diria que 365 vitimas representariam pauta para um ano inteiro. Onde sangue é audiência e o número de caixões se converte em pontos no ibope.

Tomando novamente como exemplo o incêndio na boate Kiss, tudo o que podia ser dito até o momento sobre o caso já foi dito. E, creio eu, que chega uma hora que deve se ter a noção que sobre a ânsia por informação, deve prevalecer o respeito. Vi certas coberturas chegar ao extremo, com entrevistas absurdas com os parentes das vitimas onde se perguntava a coisa mais grotesca que se pode perguntar a alguém que perdeu um ente querido: “como vc está se sentido?” - ou então aquela que você nunca imagina que alguém vai perguntar e que atinge o auge da falta de senso: “como é a dor da perda?”. Chocante ou não, coloquem REC na câmera para registrar cada lágrima em percurso, no estúdio telepronter em execução, no cenário palpiteiros renomeados pomposamente como comentaristas em posição a à disposição...e “põe na tela”!

Dor, perda. A nós aqui passivos que assistimos, não há nada mais dolorido do que ver alguém que perde a sensibilidade e age tão estupidamente. Torci eu sim é para ver um pai entrevistado que perdeu um filho esmurrar a cara de uma criatura que se dispõe a perguntar isso. Ao menos a dor ele iria conhecer. Ah, isso ia...

Mas não pior do que os pseudoprofissionais que acompanham o caso com o papel de trasmiti-lo, são aqueles que tiram proveito deste para se vangloriar com seus pequenos grandes feitos.

Muitos são aqueles que se sensibilizam e se diponibilizam a prestar auxílio e, de certa, forma, acolher aqueles que estão passando por um momento dificil ou mesmo ajudar os vitimados na medida do possivel. Entretanto, há outros que fazem questão de posarem de grandes benfeitores e enviados dos céus, se sentindo elevados a santos por prestarem solidariedade. Usando a tragédia para fins de auto-exaltação e exibindo suas benfeitorias como dádivas divinas. Tenho para  mim que quando se ajuda alguém, você ajuda pelo simples fato de sensibilizar-se e achar que pode colaborar em algo. Pelo prazer de poder ver alguém ser e estar melhor do que está. Sem o pensamento egoista ou desejo mesquinho de querer ou contar com algo em troca. Troca associa-se em meu pensamento ao seu sinônimo “câmbio”; e câmbio me remete a dinheiro; e dinheiro a ganância poder e interesse, o que não combina em nada com prestatividade.

Não suficiente, a imprensa – obviamente - dá grande abertura para este cenário. E toda uma sociedade, não menos surpreendente, senta na primeira fila pra assistir ao espetáculo.    

O fato é que vários crimes e absurdos acontecem hora a hora por ganância, desleixo, falta de apreço pela coisa publica, despreparo das autoridade, falta de carater, briga por poder, desonestidade, interesses... E, além de ultraexplorar tais crimes, pouco se faz a respeito.

Não sei até quando vamos colaborar em fazer sensacionalismo com coisa séria, sapatear na podridão e esquecer que há um baita mundo de verdade lá fora.

Não consigo imaginar quantas tantas outras vidas são perdidas em vão, sem mesmo tornarem-se de nosso conhecimento.

A verdade é que somos cegos mesmo quando esclarecidos.

Deixamos lágrimas correr no sangue e holofotes sepultarem dores.

E até que o pranto contido não se desfaça, os oportunistas serão os únicos a encobrir o choro e a entoar seus cantos em cima dos vitimados.

Como vilões e heróis, como sempre são, ocos por dentro.

Homens que venderam a sombra, e são como a sombra do homem que a vendeu.

Que sobre os sepultados, fazem barulho, sem o minimo respeito.

Marina Pereira

 



Escrito por Marina Pereira às 22h57
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